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sexta-feira, 7 de novembro de 2008

Correção dos links A ditadura militar no Brasil - 4

Os links do fascículo 4 foram corrigidos.

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terça-feira, 28 de outubro de 2008

A ditadura militar no Brasil - 7 - Governo Médici II (1969-1974) - A Tortura




Houve uma época em que Milagre exigia fé, e a fé exigia sangue e sacrifício dos ateus

Fonte: Extraído da "Coleção Caros Amigos - A ditadura militar no Brasil - A história em cima dos fatos" fascículo 7
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Introdução

Terror Estatal - Soltaram os dobermans

A escolha de Médici como sucessor de Costa e Silva mostrou que a linha dura havia dominado o governo. Em debate secreto no senado americano, ele logo recebe aprovação dos republicanos, mais à direita, e democratas - como Willians Fulbright, que “engoliu” a qualificação do diretor da CIA Richard Helms, de que o Brasil havia uma “ditadura consentida”. Médici recebeu aprovação também da OPS(Seção de Segurança Pública, na sigla em inglês). A OPS-Brasil “confiava” que Médici promoveria a “segurança interna”, pois até já havia nomeado, para Ministro da Justiça, um duro “no trato com elementos subversivos e criminosos”: Alfredo Buzaid.

Com tais costas quentes, o governo Médici vai cair matando em quem quer que ouse abrir a boca contra a ditadura, quanto mais quem exercer oposição armada. Instituirão como política de Estado a tortura, que espalha terror. Não hesitarão em aterrorizar crianças, estuprar mulheres. Um militar treinou seu cão para morder os testículos dos presos. Outro, o Risadinha, torturava dando risadas. Não houve baixeza humana que esquecessem. Um general que comandou o Dói-Codi do Rio, Adyr Fiúza de Castro, dirá sobre aquele tipo de gente, que ele próprio comandou:

“É tudo como cachorro bravo doberman. E o doberman tem-se que manter na trela, porque se o largar ele vai atacar até gente de casa”.

A sensação de quem viveu na época é de que não só havia dobermans à solta, mas também eram incitados a exercer seus instintos assassinos.

Auschwitz, DOPS, DOI-CODI, Abu-Grab, Guantánamo - Os autores de atrocidades como estas têm algo em comum



Eles fazem questão de registrar o resultado de seu trabalho

Resumo

  • Tortura como método - Era perigoso ter razão
  • Ela vira rotina nos porões da ditadura
  • Damáris Lucena - Não conseguiram endurecer-lhe a alma
  • Morto na frente da mulher e filhos
  • "É terrível parece que vai endurecendo os ossos"
  • "Eram uns ignorantes, uns estúpidos"
  • Alexandre Vannucchi Leme - "Depois que se perca tempo e um novo tempo amanheça"
  • Um amigo sobreviveu para contar
  • Apanharam a noite inteira nus - Puseram Adriano na mesma cela que o amigo tinha ocupado
  • Livro negro da ditadura militar - O jornalismo exercido sobre permanente risco de vida
  • Militantes se perdiam um dos outros por meses
  • Revolução tem dessas coisas: uísque paga conserto
  • Stuart Edward Angel Jones - Assasinado num ritual monstruoso
  • Encontro marcado com a morte
  • Agora, ia valer tudo
  • "Se eu aparecer morta ..." - Zuzu Angel
  • Quarenta liberados vão para a Argélia
  • Nas mãos de Fleury
  • Eduardo Leite, o Bacuri - Vida violenta, morte selvagem
  • Olhos vazados, orelhas decepadas
  • Rubens Paiva - Tentaram encobrir o assasinato, em vão
  • Cartas do Chile selam o destino do ex-deputado
  • "Mancada": era só para torturar, matar não
  • Resgate de mentira
  • Auschwitz, DOPS, DOI-CODI, Abu-Grab, Guantánamo - Os autores de atrocidades como estas têm algo em comum: Eles fazem questão de registrar o resultado de seu trabalho
  • José Adolfo de Granville Ponce - "A guerrilha foi a esperança do século 20"
  • Carlos Marighella era "admirável"
  • "O mal que causaram"
  • A sensação era a morte
  • "Eu me considero bem torturado"
  • Contracultura - No auge da ditadura, a contestação inclui sexo e drogas
  • Versus - Como acabar com um jornal: pôr na mão de ativistas políticos
  • Comunista desde criancinha
  • Antônio Narciso Pires de Oliveira - Um ex-torturado solidário com os ex-torturados
  • Saiu da cadeia sem perspectiva alguma
  • O torturado tem sequelas mesmo que não admita
  • Ivan Seixas - Da cela, a mãe ouviu o marido ser torturado até a morte
  • Aluízio Palmar - "Atravessei a baía algemado a uma barra de ferro do helicóptero"
  • Virgílio Gomes da Silva - Comandante Jonas, o primeiro desaparecido
  • Rose Nogueira - "Não há como perdoar"

quinta-feira, 28 de agosto de 2008

A ditadura militar no Brasil - 6 - Governo Médici I(1969-1974) - O Milagre




No momento que a discussão sobre a correta interpretação sobre a Lei de Anistia ganha cada vez mais atenção, num momento que os golpistas do passado discursam no Clube Militar evocando teses estapafúrdias e/ou golpistas a leitura desse especial é extremamente oportuna, devemos estar preparados, sem sermos alarmistas, para as tentativas de dar luz a farsa.

Com vocês o Milagre do Médici ou
Milagre de Fausto.

Fonte: Extraído da "Coleção Caros Amigos - A ditadura militar no Brasil - A história em cima dos fatos" fascículo 6
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Introdução

Milagre e Crueldade

Vimos até aqui como altas patentes militares e líderes civis de direita conspiraram para tomar o poder pela força desde o pós-guerra. Formados os militares golpistas em academias norte-americanas, alinhavam-se às teorias da Guerra Fria, basicamente duas: 1 - Mundo bipolar, ou seja, comunismo versus capitalismo, "cortina de ferro" ou "mundo livre", bloco socialista ou "civilização cristã
ocidental", União Soviética ou Estados Unidos; 2 - existente em cada país um "inimigo interno": o comunista, o socialista ou toda pessoa que não reze pela cartilha de Washington.

Vimos como os golpistas estiveram perto do êxito em 1954, mas se viram frustados pelo supremo ato político do presidente Getúlio Vargas ao meter uma bala no próprio coração. Tinham acuado Vargas depois que seu arquiinimigo Carlos Lacerda sofreu um atentado, no qual havia indícios de participação da guarda do palácio presidencial.

Adiado o golpe, tentariam dá-lo em 1955, alegando que nas eleições presidenciais JK não havia obtido "maioria absoluta"; tentariam em 1961, quando Jânio renunciou e queriam impedir o vice, Jango, de tomar pose. E, depois de bem engendrada campanha, com ajuda dos meios de comunicação, dariam o golpe em 1964.

Vimos como os próprios generais vitoriosos reconheceram que não tinham um "projeto", moviam-se apenas pelo anticomunismo; e contra um presidente nada comunista - Jango, estanceiro rico, apenas tendia a adotar políticas sociais e nacionalistas. Mas, depois de um início atropelado, a ditadura militar, graças a várias circunstâncias, produziou um período de desenvolvimento conhecido como o milagre econômico, geralmente associado ao governo Médici, o mais cruel da ditadura militar.

Resumo

  • Ilha de tranquilidade: Médici via o noticiário na TV e dormia bem
  • Dorou pouco, o povo nem teve tempo de ver
  • Carlos Marighela: Emboscada em dia de clássico para matar o inimigo númeroo 1 da ditadura
  • Último direito: um tiro de misericórdia
  • Levava cianureto para matar-se caso o prendessem
  • Ironia da história: três policiais da operação fatal tiveram fim trágico
  • Todos os homens do ditador - 1: Médici entra falando em democracia mas prepara a borduna
  • O Estado começa a institucionalizar a tortura
  • Tragicomédia: Ditadura fora da lei inventa decreto secreto e fica dentro da lei que ninguém conhecia
  • Todos os homens do ditador - 2: Serviços de Informações, a alma do sistema
  • Centro de informações é bom: cada arma montou o seu
  • Caso Parasar: coisa de demente
  • Todos os homens do ditador - 3: O coronel Costa e Silva queria na presidência Andreazza, tinha vocação para faraó, mais tocador de obras que ministro
  • Transamazônica: A estrada mais inútil da história
  • Ponte Rio-Niterói: Faltou a Andreazza a ponte para a presidência
  • Uma saga: jornalistas fora da grande imprensa sobrevivem
  • Vai para a banca ou não vai?
  • "Ou param ou não respondo pela integridade física de vocês"
  • O triste fim de Doçura
  • Às Armas: Ditadura cortou toda a prossibilidade de contestação democrática; As Esquerdas acabaram "obrigadas" à luta armada
  • A direita age acobertada
  • Do campo para as cidades: Lamarca se guia pela "teoria do foco"
  • A VPR cai numa armadilha e desaparece
  • Fuga desesperada: um tiro no rosto do capitão, um mês depois morte de Iara
  • Chega de passeata: Caparaó anunciou a luta armada no campo
  • Régis Debray - Foco: revolução dentro da revolução?
  • Sem um programa que não fosse derrubar Jango, os golpistas entregaram a economia às piores mãos dispníveis no momento
  • Imposição do FMI
  • Onda de sequestros: 1970 - com os companheiros e companheiras nas mãos dos torturadores, os guerrilheiros se desesperaram. Inspiraram-se no bem sucedido seqëstro do embaixador americano
  • 1 Cônsul do Japão, não estava nos planos
  • 2 Embaixador Alemão, em plena Copa do Mundo
  • 3 Embaixador Suíço, festa e simpatia
  • Seqüestro de avião: Ação perigosa, de altíssimo risco
  • O salvador desaparecia
  • A fúria da censura: Só cantando como Chico Buarque: "chame o ladrão!"
  • Incra: datilógrafa se engana e cria o maior latifúndio do mundo
  • Embraer: A Aeronáutica queria voar e caçar comunistas
  • Funai: Matar se preciso for...
  • Mobral: Alfabetização a serviço do "desenvolvimento" e do conformismo
  • Tio Sam fecha o cerco: O democrático Chile entra em dezessete anos de terror
  • Médici, primeiro a reconhecer Pinochet
  • Diplomatas de dedo duro
  • Espionavam até colegas
  • A ditadura é obrigada a admitir que há uma guerrilha no Araguaia
  • Sob censura a imprensa não sabe que militarem caçam guerrilheiros
  • Os primeiros a "cair"
  • Igreja versus ditadura: apoiram o golpe e sofreram na carne as conseqüências
  • Um atentado diabólico

segunda-feira, 21 de julho de 2008

A ditadura militar no Brasil - 1 - A noite do Golpe


Cumprindo mais uma promessa eis o início da Longa Noite ....

E sempre que ouvir algum jornalão, emissora ou setores organizados da sociedade civil(leia-se igrejas) criticando ou denunciando a ditadura, lembre-se de quem foram os seus apoiadores ....


Fonte: Extraído da “Coleções Caros Amigos – A ditadura militar no Brasil – A historia em cima dos fatos” fascículo 1
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Introdução


Um Livro-Documento


Esta é a segunda coleção de fascículos Caros Amigos. A primeira foi Rebeldes Brasileiros - Homens e Mulheres que Desafiaram o Poder.

A proposta, tanto da primeira quanto desta segunda coleção, é mostrar episódios e personagens da história do Brasil a partir de nosso ponto de vista. Que difere substancialmente do encontrado em trabalhos semelhantes publicados pelas editoras grandes de revistas e jornais, mesmo porque elas defenderam e defendem a elite econômico-financeira que sempre dominou o poder e que não admite qualquer projeto de reforma institucional que possa ameaçar seus privilégios. Como aconteceu no episódio que vamos contar nesta série de fascículos, como aconteceu em episódios anteriores e como pode acontecer cada vez que um governo propuser mudanças estruturais ao país.

No caso, as editoras grandes apoiaram vigorosamente o golpe de Estado que inaugurou o longo período chamado "anos de chumbo", a ditadura militar que durou 21 anos, de 1964 a 1985.

A presente coleção, dividida em doze fascículos que irão para as bancas e livrarias de quinze em quinze dias, descreve em detalhes as diversas fases daquele governo de exceção, a partir da noite de 31 de março de 1964 até a entrega da faixa presidencial a José Sarney, em 15 de março de 1985, após tumultuado processo que culminaria com a volta ao Estado de direito.

O leitor encontra na contracapa desta edição o Plano da Obra, isto é, o tema de cada um dos doze fascículos e a ordem em que serão publicados.

Por último, mas muito importante: juntamente com a edição número 6, será oferecida aos leitores, nas bancas e livrarias, gratuitamente, a capa dura para aqueles que desejarem encadernar os fascículos, formando um livro. Daí a numeração das páginas não recomeçar a cada edição, mas seguir da página l até a página 384. Um volumoso e, modéstia à parte, valioso documento.


Resumo:

  • Noite de 31 de março
  • A toque de caixa a sublevação, a queda, o novo governo
  • A vaca fardada
  • Foi a pior noite da minha vida
  • Um jornalismo que nunca mais ressurgiu
  • O homem da caixinha
  • O corvo conspirador
  • O banqueiro que quebrou
  • Um mestre no ofício de torturar chega ao Brasil
  • A escola superior mais atingida
  • Os grandes jornais comemoraram
  • O golpe se autoplocama uma "revolução"
  • Juristas dão força à força
  • O AI-1 instaura a ditadura
  • Dinheiro aprovado para Goulart ia para os adversários
  • Como a imprensa americana noticiou os acontecimentos no Brasil
  • No melhor calabouço, temperatura acima de 50 graus
  • Família que reza unida, permanece unida
  • Revista Pif Paf cutucou a ditadura com vara curta, morreu
  • O jogo da democracia
  • Tudo sobre controle (dos Estados Unidos)
  • E Jango estava bem no Ibope

sexta-feira, 2 de maio de 2008

Homem Primata .... Capitalismo Selvagem


Quem já leu Crônica de uma Morte Anunciada conhece a sensação de dejavu e impotência que mais essa crise trás : vem teoria, vai teoria e as contradições acabam por gerar mais um colapso que fatalmente terá suas conseqüências nefastas socializadas, sem que o mesmo tenha ocorrido com suas benesses.

E antes que os touros que não podem ver algo vermelho tremam de fúria e indignação devo lembrar-lhes que não foi só o tio Marx que avisou sobre as conseqüências de deixar o capital livre leve e solto, Keynes e outros doutores do capitalismo também já se pronunciaram sobre ...


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Links Le Monde:

  • 09/2007 - O eterno retorno da crise financeira - cbr - pdf
  • 03/2008 - De ventaval a furação - cbr - pdf
Links Carta Capital:
  • 22/08/2007 - A bolsa pede piedade - cbr - pdf
  • 22/08/2007 - É capitalismo, estúpido - cbr - pdf
  • 22/08/2007 - O rescaldo na periferia - cbr - pdf
  • 29/08/2007 - Prejuízos socializados - cbr - pdf
  • 23/01/2008 - Em areia movediça - cbr - pdf
  • 23/01/2008- Papai Estado nos salvará - cbr - pdf


Carta Capital e Le Monde estão fazendo uma cobertura muito boa, já digitalizei boa parte das reportagens, em breve disponibilizarei as restantes.

“Hegel, há dois séculos, deplorava a incapacidade crônica dos Estados de aprender com as experiências da história. Os governos não são os únicos poderes incapazes de aprender. O capital - notadamente o financeiro - também parece condenado à perseverança no erro, à aberração recorrente e ao eterno retorno da crise financeira. Apesar de relativa a novos objetos", a atual crise dos mercados de crédito permite entrever, uma vez mais, os ingredientes quimicamente puros do desastre, oferecendo a quem quiser ver uma ocasião a mais para meditar sobre as "benesses" da liberalização dos mercados de capitais.

É que a crença financeira não se dissipa com facilidade e, logo ela, que se vangloria de ser a encarnação do princípio de realidade, que submete as empresas tão-somente à "validação dos fatos", segundo os critérios do "reporting" (prestação de contas trimestral) e do "track record" ("histórico" de desempenho), continua asininamente ignorante disso que a história recente - sua própria história - lhe entrega de bandeja, embora de modo acachapante. É que, na verdade, o "track record" da liberalização financeira não goza de boa reputação... Não podemos nos esquecer de que, desde que ela passou a imperar, tem sido difícil passar mais de três anos seguidos sem um incidente de envergadura - quase todos poderiam figurar nos livros de história econômica: 1987, quebra memorável dos mercados de ações; 1990, quebra dos "junk bonds" ("títulos podres") e crise das "savings and loans" (financeiras de poupança e empréstimos) americanas; 1994, quebra dos titulares de debêntures americanos; 1997, primeira fase da crise financeira internacional (Tailândia, Coréia, Hong-kong); 1998, segunda fase (Rússia, Brasil); 2001-2003, estouro da bolha da Internet.


E aqui estamos nos em 2007. Leitura dos devotos: a globalização é auspiciosa, mas dolorosa ...”.. No Lê Monde, Pierre-Antoine Delhommais deleita-se com a resistência da besta diante de tantos choques de vulto, que nos fizeram questionar, em cada episódio, se não acabariam por matá-la - que, a cada vez, não só se reergue, como também volta a andar com ânimo renovado. O fato é que não devemos nos surpreender com ele. Ti­rando o fato de que o jornalista esquece o quanto custou aos assalariados, em cada uma daquelas ocasiões, pagar a conta da em­briaguez financeira. Pois, invariavelmente, a degringolada dos mercados atinge os bancos, portanto o crédito, em seguida os investimentos, o crescimento... e o emprego.

Seria necessário quem sabe a aquisição de seu jornal por um fundo de investimentos um pouco impiedoso para que, ao viver a experiência concreta do "downsizing" ("en­xugamento"), Delhommais se visse mais impelido a calcular o acúmulo de pontos de crescimento perdidos e de empregos des­truídos em função das práticas do mundo financeiro e (mais ainda) de suas crises - e que as "dores" da globalização lhe fossem pessoalmente penosas para que ele deixasse de considerá-la "auspiciosa".

A crise dos mercados de crédito que cas­tiga a economia americana oferece, porém, um panorama quase ideal dos encadea­mentos fatais da especulação desenfreada. Como em uma parada, desfilam novamen­te as toxinas gerais do mundo financeiro, sempre as mesmas e numa ordem absoluta­mente idêntica: 1) as tendências "Ponzi" da especulação; 2) o laxismo da avaliação de riscos na fase de alta do ciclo financeiro; 3) a vulnerabilidade estrutural a uma pequena mudança de ambiente e o efeito catalítico de um enfraquecimento local, que precipita a reviravolta; 4) a revisão imediata das esti­mativas; 5) o contágio lateral das dúvidas a outros setores do mercado; 6) o choque dos bancos excessivamente expostos; 7) a ameaça de um acidente sistêmico, ou seja, de um colapso global, seguido de recessão generalizada por estrangulamento do crédito... e um pedido de socorro aos bancos centrais feito por todos os fanáticos da livre iniciativa privada ...

Le Monde Diplomatique Brasil Setembro de 2007 – baixe a matéria completa, com a explicação de cada um desses sete fatores

domingo, 6 de abril de 2008

A ditadura militar no Brasil - 5 - Governo Costa e Silva

Surge o Ato Institucional 5 e a Operação Bandeirantes ... mais nada a declarar

Fonte: Extraído da “Coleções Caros Amigos – A ditadura militar no Brasil – A historia em cima dos fatos” fascículo 5
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Introdução:

Era um jogador? - Fama de esperto que se fazia de bronco

Antes de tomar posse como sucessor de Castelo, Artur da Costa e Silva dá uma volta ao mundo em cinquenta dias. Visita Europa e Oriente Médio. Seu lema, anunciado numa das paradas vem em frase feita: "Menos política e mais trabalho." Como se um governante não está trabalhando quando faz política. A plataforma de governo ele sintetiza num binómio: Paz e Produção. Banalidade era com ele: "As pedras do caminho não me assustam", disse quando se lançou "candidato a presidente" em meados de 1966. Artur da Costa e Silva, gaúcho de Taquari, nascido em 3 de outubro de 1902, um linha-dura, é visto pelos colegas de 1964 como" mais chefe militar do que o Castelo ", conforme dirá numa entrevista, trinta anos depois, o assessor de Relações Públicas no governo Médici, general Octávio
Costa, que acrescentará: "Costa e Silva, já general, era um homem afeito à jogatina, no baralho ou no jóquei." Octávio Costa nos conduz a concluir que, sendo o jogo "marcante" na vida do colega, houve ousadia de jogador de pôquer quando ele, ao ver o golpe vitorioso, sentou na cadeira de ministro e se auto-intitulou chefe do Comando Supremo da Revolução. Segundo o general Fiúza de Castro, que chefiou a PM do Rio em 1974, Costa e Silva era também "mulherengo, farrísta", e, embora "esperto", "cultivava a fama de bronco". Na percepção popular, seria mesmo bronco, tanto que surgiram várias anedotas sobre o tema, como veremos.

Resumo:

  • Registrado já no século 4 A.C.: “Sucessão em estado de ilegalidade é sempre difícil”
  • Lacerda cedo se arrependeu de apoiar os militares golpistas
  • Jango: “inconveniente” no Brasil, segundo Costa e Silva
  • Acidente esquisito: Que fazia avião de Castelo na zona de treino da FAB?
  • Um incidente fatal
  • Paris, Mundo, Maio de 1968 – I: A imaginação toma o poder, e felicidade é sinônimo de luta
  • Paris, Mundo, Maio de 1968 – II: Partidos comunistas entram em crise no pós-68
  • Primavera em Praga: Tanques russos nas ruas tchecas
  • É proibido proibir: Teve gente que não entendeu nada
  • Chega de Guerra do Vietnã
  • Mártir dos estudantes: Um tiro no coração de Edson Luís
  • À luz de velas e ao som do Hino Nacional
  • Sexta-feira sangrenta: um helicóptero despeja ácido, clima de pânico
  • Parecia Paris, mas não era
  • A Filosofia se retira
  • Frente a Frente, escolas antagonistas travam a Batalha da Maria Antônia
  • Juventude irada no Rio: a indignação dos estudantes explode e contamina até as mãe
  • Passeata dos 100.000
  • CCC ataca: Atores espancados, teatro destruído
  • Todo mundo Preso! A luta dos estudantes acaba na lama
  • Caso Chandler: Metralhado a queima roupa
  • Adhemar armou o bote que se voltaria contra ele mesmo. Os guerrilheiros “expropriaram” seu cofre
  • A ação bem planejada envolveu treze guerrilheiros
  • O maior golpe de uma ação guerrilheira 2 milhões e meio de dólares numa tacada
  • Realidade: uma revista arrebanha leitores e incomoda o governo
  • Ousadia na pauta e no texto
  • Não admitiram cerceamento
  • Algumas matérias:
    • Existe preconceito de cor
    • O gosto que a guerra tem
    • Uma definição jornalística
    • Mulher, ladrão, virador
  • Uma viagem às heróicas greves de 1968
  • Presidente aos 18 anos
  • Enquanto isso em Minas... Coronel ameaça, e mais greves pipocam
  • Dia do Trabalho: Pedrada na cabeça do governador Sodré, fogo no palanque
  • Pelos nossos filhos: “O movimento sindical tinha que assumir a questão ambiental como fundamental”
  • Delfim passou o chapéu
  • OBAN: Fardas manchadas de sangue – Operação Bandeirantes: nasce o repugnante método de combate aos adversários da ditadura
  • Moído e morto a pancadas
  • Médicos examinavam o torturado para determinar se suportava mais castigos
  • Ousado golpe: “Meu Deus, seqüestramos o embaixador dos Estados Unidos!”
  • Olho por olho, dente por dente Delfim passou o chapéu
  • Quatro figuras: Franklin Martins, Vera Sílvia Magalhães, Virgílio Gomes da Silva e Fernando Gabeira
  • Instituições em frangalhos: Governo perde uma parada e responde pesado
  • Golpe dentro do golpe: Com o Ato Institucional n5, o governo podia tudo
  • Escureceu o tempo
  • Dias dos cegos
  • Último ato: Junta Militar consegue endurecer o jogo ainda mais
  • O general dizia que ia matar a fome da humanidade
  • Dinheiro de fora veio e engordou a dívida externa
  • O atribulado desfecho do governo Costa e Silva
  • Período sangrento vem aí

quarta-feira, 12 de março de 2008

A ditadura militar no Brasil - 4 - Governo Castelo Branco

No quarto volume vemos a chegada de Castelo ao poder, um episodio surreal: censurar Sófocles, e expulsão nossos maiores crânios. Senhoras dando ouro para o “bem do Brasil” e o nascimento do verdadeiro ouro brasileiro O FEBEAPÁ.

Fonte: Extraído da “Coleções Caros Amigos – A ditadura militar no Brasil – A historia em cima dos fatos” fascículo 4
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Introdução:

Por que os golpistas não admitem que deram um golpe?

Você já notou que quem move uma agressão jamais admite que “começou a guerra”? Ainda neste início do século 21 os Estados Unidos agrediram o Iraque sob pretexto de que os iraquianos preparavam armas de destruição em massa, quando queriam era garantir mais petróleo para si (e, logo se soube, o Iraque não preparava arma de destniição em massa alguma).

Vimos como nossos militares derrubaram em 1964 um governo legalmente constituído; como a agressão partiu de Washington, que usava a "mão do gato" para impedir o Brasil de virar uma potência; como nossos militares abraçaram, para tanto, a tese do "inimigo interno" (p. 86/87, fascículo 3).

Assim, golpistas ouvidos trinta anos depois, pêlos historiadores Maria Celina D'Araújo, GláucioAry Dillon Soares e Celso Castro, trataram de escamotear o fato de que tomaram a iniciativa da agressão. O general Gustavo Moraes Rego Reis, assessor do governo Geisel, diz que promoveram uma "contra-revolução preventiva". Seu colega Carlos Alberto da Fontoura, ex-chefe do Serviço Nacional de Informações, ecoa:"Nós não fizemos o golpe. Fomos obrigados a dar o contragolpe pelo povo brasileiro."

O general António Bandeira, que combateu a Guerrilha do Araguaia em 1972, fala em "contra-revolução" e vai além no subterfúgio: "A ideologia política foi puramente a de preservar o regime democrático." E para "preservar" a democracia golpearam-na, sob a justificativa de que era "o inimigo" quem ia golpeá-la. O escritor inglês Terence Hanbury White (1906-1964), em O Único e Eterno Rei, volume II, deslinda bem o paradoxo. Recria um diálogo entre o jovem rei Artur e seu conselheiro, o mago Merlin, figuras semilendárias da Inglaterra do século 6. Merlin diz ao pupilo que as guerras, de tão terríveis, "não deveriam ser permitidas". Artur observa:

"Mas ambos os lados sempre dizem que foi o outro que começou." Responde Merlin que isso é bom:

"Pelo menos, mostra que os dois lados têm consciência, dentro de si mesmos, de que a perversidade da guerra está em começá-la." Por isso os golpistas não admitem que deram o golpe.

Resumo:

  • Castelo Branco, ditador civilizado
  • O Congresso “elege” novo presidente
  • Desgosto e um manda-chuva
  • Ditadura, na língua da ditadura, é apenas “estado de exceção”
  • Congresso fraco, Judiciário submisso
  • A censora que não arrotava
  • Queriam repreender Sófocles
  • Um governo em três atos:
    • Primeiro ato: Queriam cassar até um Ermírio de Moraes
    • Segundo ato: Bipartidarismo: ou Arena ou MDB
    • Terceiro ato: Fica, assim, bem claro...
  • Todos passam a ser responsáveis pela segurança nacional
  • Ouro para o bem de alguns, do Brasil é que não foi
  • Mais de 100.000 doaram
  • O ovo acaba vítima do próprio medo
  • Expulsaram os maiores crânios do país
  • Nosso gênio serve à França porque “não sobrou opção”
  • Universidade de Brasília ia bem demais para ser verdade
  • Foi-se a criatividade
  • Feijoada subversiva
  • Todos são culpados até que se prove o contrário
  • Plantação de livros
  • Separaram o trigo do joio
  • Os golpistas se esforçam para legalizar a ilegalidade
  • Torturaram sargento por cinco meses e o afogaram no rio
  • Ofereceram a Djalma Maranhão, ou renuncia, ou vai preso
  • Com a ditadura, um festival de besteira assola o país
  • FEBEAPÁ
  • Em memória de Biu, Zé, Pedro, Sinhá Maria ...
  • Ganharam no máximo uma nota de pé de página
  • Julião morreu pobre, auto-exilado em Tepoztlán, México
  • A reforma agrária ficou no papel
  • O monstro que devorou a si mesmo
  • Vigiando o próprio governo
  • Castelo abre caminho para a o”operação limpeza”
  • Caíram em cima dos estudantes e dos trabalhadores
  • A tortura estava nos planos
  • O Inquérito Policial Militar vira arma política
  • A esquerda contra-ataca e mata dois

segunda-feira, 18 de fevereiro de 2008

Plantados no chão - Assasinatos políticos no Brasil hoje



O livro me foi indicado pelo correio da revista Caros Amigos e no própio site(do livro) é pedido para divulga-lo. Todo o contéudo dessa postagem foi retirado do site do livro.

Fonte do livro digitalizado: http://www.conradeditora.com.br/hotsite/plantados/download.html

Fonte dos dados acerca do livro: http://www.conradeditora.com.br/plantadosnochao.html


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Às onze horas do dia 20 de novembro de 2004, dezessete homens armados entraram na fazenda Nova Alegria, no município de Felisburgo, Minas Gerais. Queriam "acertar a contas" com as 130 famílias do Movimento de Trabalhadores Sem-Terra (MST), que estavam há mais de dois anos no acampamento batizado de Terra Prometida. Os sem-terra denunciavam que parte da terra havia sido grilada, e pela lei deveria ser desapropriada. Adriano Chafik – dono da propriedade – e seus homens caminharam até o centro da ocupação e abriram fogo. Mataram cinco sem-terra e feriram quinze.

Três anos se passaram.

As 13 horas do dia 21 de outubro de 2007, quarenta homens armados entraram na fazenda da multinacional Syngenta Seeds, próxima ao Parque Nacional do Iguaçu, em Santa Tereza do Oeste, Paraná. Queriam “acertar as contas” com os líderes das setenta famílias da Via Campesina que montaram ali um acampamento batizado de Terra Livre. Os camponeses denunciavam os experimentos da Syngenta com sementes transgênicas de soja e milho, que feriam uma lei que proíbe tal prática próxima a reservas florestais. Os homens, contratados de uma empresa de segurança privada, entraram na fazenda já atirando. Executaram um líder sem-terra e feriram outros cinco.

O relato dos dois episódios assusta pela semelhança. Mas deveria chamar a atenção, também, pela diferença. São duas histórias distantes no espaço e no tempo, envolvendo atores diferentes e com motivações diferentes. No entanto, como numa novela bem ensaiada, o desenrolar dos acontecimentos é idêntico: as vítimas já haviam sido ameaçadas, as autoridades sabiam do perigo eminente, mas mesmo assim nada foi feito. O desfecho, também, provavelmente será o mesmo. Enquanto matavam mais um sem-terra no campo da Syngenta, Adriano Chafik, réu confesso do massacre de Felisburgo, continuava sem julgamento – e sem previsão para tal.

O livro Plantados no Chão é um grito de indignação contra essa novela. Publicado em junho de 2007, é uma compilação de mais de 180 casos de militantes assassinados nos últimos 4 anos – durante do governo Lula – por causa da sua convicção. É uma tentativa de entender esses assassinatos, buscar estabelecer que padrão eles seguem, por que eles acontecem e perguntar como continuam a ocorrer em um governo que foi eleito com o apoio desses mesmos movimentos sociais. Não são respostas fáceis, e por isso não pretendemos esgotar o assunto, mas iniciar um debate muito necessário.

Cada assassinato político não é a morte de um militante, é um pouco a morte da causa que ele defende. Os assassinatos políticos nos dias de hoje não servem para exterminar uma pessoa, mas para refrear a demanda de um grupo que é representado por essa pessoa. Ao permitir essa rotina de violência, nosso governo permite que a democracia brasileira continue sendo decidida a bala. Não é algo para se orgulhar.

Desde o lançamento, sempre quisemos que o livro fosse disponibilizado na internet para download gratuito. Queríamos desde o começo que o seu conteúdo tivesse mais alcance do que a forma (e o preço) de um livro pode alcançar. Queremos levar esse debate para os mais diferentes cantos possíveis. Por isso, como autora (juntamente com toda a equipe da Conrad) pedimos: baixe o livro, copie, imprima, leia, releia, critique. Afinal, parafraseando a jornalista britância Jan Rocha, autora do prefácio do livro, o assassinato político não é a morte de uma só pessoa; é um golpe contra a esperança – e contra o futuro da nossa democracia.

E o trabalho iniciado com Plantados no Chão não termina por aqui. Em breve estrearemos um blog neste site, onde manteremos os leitores atualizados não apenas em relação aos crimes relatados no livro, mas também abrindo espaço para novas denúncias.

Aproveite o livro e o site, e espalhe a idéia.


Natalia Viana

Nos links abaixo você pode ler mais sobre a repressão ao direito de exigir direitos no nosso país:

1. Documentos

Relatório World Report 2008, da Human Rights Watch. Em português: http://hrw.org/portuguese/docs/2008/01/31/brazil17926.htm

Relatório Direitos Humanos no Brasil 2007, da Rede Social de Justiça e Direitos Humanos. http://www.social.org.br/relatorio2007.pdf

Relatório Preliminar Confltios no Campo 2007, da Comissão Pastoral da Terra.
http://www.cptnac.com.br/?system=news&action=read&id=2108&eid=6

Relatório da enviada da ONU Hina Jilano sobre a situação dos Defensores de Direitros Humanos no Brasil. Em Inglês:
http://www2.ohchr.org/english/bodies/hrcouncil/docs/4session/A-HRC-4-37-Add.2.doc

Relatório Na Linha de Frente: Defensores de Direitos Humanos no Brasil (2002-2005), da organização Justiça Global: http://www.global.org.br/portuguese/relatoriodefensores2005.html

2. ONGs:

Comissão Pastoral da Terra - ligada à Igreja Católica, acompanha a violência causada por conflitos de terra no Brasil.
http://www.cptnac.com.br

Conselho Indigenista Missionário - também ligado à Igreja Católica, acompanha a violência contra indígenas.
http://www.cimi.org.br

Terra de Direitos - oferece auxílio jurídico aos movimentos que lutam pela terra.
http://www.terradedireitos.org.br

Gabinete de Assessoria Jurídica às Organizações Populares (Gajop) - dá apoio jurídico a movimentos populares
http://www.gajop.org.br/

Movimento Nacional de Direitos Humanos - Reúne diversos movimentos e organizações que trabalham com direitos humanos.
http://www.mndh.org.br

Fórum de entidades Nacionais de Direiros Humanos - traz notícias sobre direitos humanos.
http://www.direitos.org.br/

Conectas Direitos Humanos - acompanha todos os tipos de violações aos direitos humanos.
http://www.conectas.org

Anistia Internacional - organização com forte atuação no país que costuma emitir apelos pela defesa dos defensores de direitos no aís.
http://www.amnesty.org

Instituto Socio Ambiental - acompanha movimentos sociais que trabalham com temas ligados ao meio ambiente
http://www.socioambiental.org/home_html

Organização das Nações Unidas (ONU) - Seção Brasil
http://www.onu-brasil.org.br/

3. Movimentos sociais:

Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra
www.mst.org.br

Via Campesina www.viacampesina.org
Movimento dos Atingidos por Barragem (MAB)
http://www.mabnacional.org.br/

Movimento dos Pequenos Agricultores (MPA)
http://www.mpabrasil.org.br/

Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST)
http://www.mtst.info/

Movimento de Mulheres Camponesas (MMC)
http://www.mmcbrasil.com.br

4. Sites de Notícias

Repórter Brasil - site de jornalismo social com especial enfoque no trabalho scravo.
http://www.reporterbrasil.org.br

Carta Maior - agência de notícias que cobre amplamente os movimentos sociais
http://www.agenciacartamaior.org.br

Repórter Social - agência de notícias sobre temas sociais em geral
http://www.reportersocial.com.br/noticias.asp?id=1407

Correio da Cidadania - veículo independente que cobre temas sociais.
http://www.correiocidadania.com.br/

Brasil de Fato - jornal ligado ao movimento sem-terra http://www.brasildefato.com.br/v01/agencia

Caros Amigos - revista mensal de esquerda
www.carosamigos.com.br

Centro de Mídia Independente - seção brasileira do movimento internacional Indymedia.
http://www.midiaindependente.org/

Rede Direitos Humanos e Cultura (DHNET) - notícias sobre direitos humanos no Brasil e demais países lusófonos. http://www.dhnet.org.br/interagir/noticias/noticias.htm

Agência Chasque - agência de notícias sobre trabalhadores rurais e urbanos o Rio Grande do Sul
http://www.agenciachasque.com.br/

Blog do Sakamoto - o jornalista Leonardo Sakamoto traz notícias sobre desigualdade social, movimentos e combate ao trabalho escravo.
http://blogdosakamoto.blig.ig.com.br/

quarta-feira, 6 de fevereiro de 2008

A ditadura militar no Brasil - 3 - Jango, Ascensâo e Queda



Esse terceiro volume da série sobre a ditadura no Brasil trata sobre a era Jango, sua ascensão e queda e como se deu o movimento de criação da base de sustentação civil da ditadura.

Fonte: Extraído da “Coleções Caros Amigos – A ditadura militar no Brasil – A historia em cima dos fatos” fascículo 3
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Introdução:

Parlamentarismo á brasileira

Solução de compromisso ou golpe branco?

Vimos nos dois primeiros fascículos como a renúncia do presidente Jânio Quadros, em 25 de agosto de 1961, abriu grave crise institucional. Normalmente, bastava obedecer à Constituição, o vice tomaria posse, e o país iria em frente. Mas não havia condições “normais”.

O vice João Goulart, o Jango, não agradava aos direitistas civis “raivosos”. Menos ainda aos militares cevados no anticomunismo, no contexto da Guerra Fria insuflada pelos americanos para opor o capitalismo ao socialismo. Jango lhes parecia “perigoso” - herdeiro de Vargas, acenava com “reformas”, ascensão das classes trabalhadoras, não tinha preconceito contra esquerdistas em geral.

Já o tinham alijado do governo em 1954, quando ministro do Trabalho de Getúlio, propôs aumento de 100% no salário mínimo, em 1955, tentaram impor à nação, nas eleições presidenciais de outubro, um candidato único civil e “apoiado pelas Forças Armadas” – para evitar que Jango formasse com JK a chapa que, como temiam, sairia vencedora; eleitos os dois, tentaram impedir a posse.

Agora, com a renúncia de Jânio, queriam até impedir a volta de Jango ao Brasil – estava na China em visita oficial.

Para evitar o conflito, o conciliador Jango aceitou a “solução de compromisso” que implantou o parlamentarismo no país, pela emenda constitucional n° 4; ela revia um plebiscito para o início de 1965, nove meses antes do fim de seu governo o povo decidiria se o parlamentarismo ficava ou voltaria o presidencialismo.

A manobra, espécie de “golpe branco”, desagradou aliados de Jango. Mas ele trabalharia pela volta do presidencialismo. Queria governar e não apenas reinar – “ser a rainha da Inglaterra”, como se dizia.

Resumo:

  • A herança de JK: dívidas, inflação
  • Congresso conservador, gabinete conservador
  • Brizola, pedrinha no sapato americano
  • Jango pronuncia as palavras mais temidas
  • A greve vitoriosa pelo 13° salário
  • O sistema de gabinete vai por água abaixo
  • Democracia para o reacionário é desordem
  • Xô, parlamentarismo!
  • Pensando em 1956, até a direita votou “não”
  • Enfim, Jango à frente do poder executivo
  • Ouro por ferro velho
  • A forca do operário é a fraqueza do plano
  • Pela vontade daquele Congresso, jamais haveria reformas
  • Inimigos agem à solta e os aliados nada podem fazer
  • O projeto Reformas e Base ruiu porque não chegou ao povo
  • A peca que aterrorizou Castelo Branco
  • Palavras ameaçadora para os generais
  • O que eles disseram na introdução do livro, publicado em 2006 pela L&M Editores
  • Três figuras:
  • Brizola - O Engenheiro
  • Lacerda – Corvo conspirador
  • Jango – Estancieiro esclarecido
  • Até dom Paulo, defensor dos direitos humanos, saudou o golpe
  • Chega o padre da CIA
  • A reviravolta diante da violência
  • Uma visita de cortesia armada até os dentes
  • “Cabe ação imediata”
  • “A coisa mais importante que aconteceu no hemisfério”
  • Brasil adota conceito da Guerra Fria
  • A “bestinha” nocauteia o “turco”
  • As armas, onde estavam as armas?
  • ”64 foi isso pra mim”
  • Conspiração escrita, falada e televisionada
  • “O país estará em frangalhos”
  • Jornalistas se arrependeram do apoio, patrões se ajeitaram
  • O que queria os homens da foice-martelo?
  • Os últimos a resistir

domingo, 27 de janeiro de 2008

A ditadura militar no Brasil - 2 - Antecedentes do golpe: suicídio de Getulío


Considero a Caros Amigos o melhor periódico atualmente nas bancas. Muitos a consideram extremista, eu ao contrário a considero corajosa por assumir uma posição que não seja ditada pelo que é mais rendoso ou mais próxima do senso comum. Avesa a idéia dominante, apresenta uma miríade de visões dentro do que se convencionou chamar de esquerda.
Há alguns meses iniciou uma série de especiais com o intuito de contar a história sobre a ditadura militar no Brasil. Infelizmente perdi o primeiro fascículo(o sétimo acabou de sair nas bancas). É uma obra que merece ser lida, debatida entendida, para que nunca mais seja repetida.

Plano da obra:
1. A noite do golpe
2. Antecedentes: A suicídio de Vargas
3. Governo Jango(1961-1964)
4. Governo Castelo Branco(1964-1967)
5. Governo Costa e Sila(1967-1969)
6. Governo Médici (1969-1974): O milagre
7. Governo Médici- A tortura
8. Governo Médici – Terror total
9. Governo Geisel (1974-1978): Fim do milagre
10. Governo Geisel – Extinta a luta armada
11. Governo Geisel – A abertura
12. Governo Figueiredo (1979-1985): Fim da ditadura

O segundo fascículo trata sobre os antecedentes do golpe, a pressão sobre Getulio Vargas, sua morte, as tentativas de barrar JK, a visita de Che, e o preparo do terreno feito pelas entidades civis.

Fonte: Extraído da “Coleções Caros Amigos – A ditadura militar no Brasil – A historia em cima dos fatos” fascículo 2
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Introdução:

“Antecedente de 1964: da formação ao colapso do populismo”

Getúlio Vargas, que chegou ao cargo máximo da República pela primeira vez cavalgando a Revolução de 1930 como seu principal líder, governou o país durante quinze anos. Cai em 1945, derrubado por generais de seu próprio ministério. Comandou uma ditadura em mais da metade daquele tempo (Estado Novo, 1937-1945). Contudo, o período inicial da chamada Era Vargas introduziu inovações como o voto feminino e a Justiça Eleitoral; conquistas sociais como salário mínimo, organização sindical; e deu início à industrialização do Brasil.
Derrubado Vargas, o presidente do Supremo Tribunal Federal, José Linhares, assume a presidência até que, realizadas eleições, tomem posse o novo chefe de governo e a Assembléia Nacional Constituinte. A 2 de dezembro, vence o general Enrico Gaspar Dutra, ministro da Guerra no governo Vargas, candidato pelo PSD, Partido Social Democrático, criado pelo próprio Vargas junto com o PTB, Partido Trabalhista Brasileiro. Fica em segundo lugar o candidato da UDN, União Democrática Nacional, outro militar, brigadeiro Eduardo Gomes.
Dutra, eleito graças ao apoio de Getúlio, tomou posse em janeiro de 1946 em clima de euforia pelo restabelecimento das liberdades democráticas. Sob a nova Constituição, a "melhorzinha" que já tivemos no dizer de Darcy Ribeiro, realizam-se em 10 de janeiro de 1947 eleições gerais - de governos estaduais a câmaras municipais. Uma das marcas do governo Dutra foi o alinhamento do Brasil aos Estados; Unidos em todos os setores. Rompemos relações diplomáticas com a União Soviética e cresceu a cultura anticomunista no Brasil. Em 7 de maio de 1947, o governo põe o Partido Comunista na ilegalidade; e, em 7 de janeiro de 1948, a Justiça Eleitoral cassa os mandatos dos parlamentares comunistas.

Resumo:
• Entre Getúlio e outro, um Dutra afinado com os EUA
• Chega a matéria plástica
• O suicídio adia o golpe de 1954 para 1964
• Manifesto dos Coronéis – Anote os nomes, eles ensaiam em 54 e darão o golpe em 64
• Esquece o Brasil
• Vargas, o homem que deu nome a uma era
• O petróleo é nosso
• EUA pressionaram parlamentares
• A banda de Música ensaia o espetáculo final
• Instala-se a República do Galeão
• Os últimos momentos do presidente
• Carta-testamento
• Nova manobra: barrar o caminho de JK
• Um governo de três dias, mas que dias cheios
• Parecia que o Brasil, enfim, ia decolar
• Estabilidade política e tolerância
• Abertura ao capital externo, educação negligenciada
• Bossa nova, automóvel, modernidade: os Anos Dourados
• A miragem surge no vazio do cerrado
• Depois de Brasília, a crise, a dupla Jan-Jan, o golpe
• O Barão de Itararé ri até da desgraça: depois de apanhar dos militares, pôs aviso na porta: “Entre sem bater”
• O estado a que chegamos
• Não era a última esperança
• Cortesia vira subversão: Grã-Cruz de Che
• Desmaiou, chorou, esperando ser chamado
• Complicações para Jango
• A volta redonda do jornalismo brasileiro
• Ultima Hora nasceu batendo O Globo
• Fim de Jango, fim de UH
• Ligas Camponesas, nove anos que assustaram o latifúndio
• Entidades civis preparam o terreno
• Caíram no conto do anticomunismo e do inimigo interno
• Hierarquia não suporta democracia

sábado, 26 de janeiro de 2008

Quênia - Sobre a Cegueira




Ótimo texto da primeira Carta Capital do ano.

Fonte: Extraído do periódico “Carta Capital” 16/01/2008 ano XIV n°478
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"O Quénia pode dar um exemplo para a África do Sul e o resto do continente", es-creveu a revista The Economist em 19 de dezembro de 2007. "Pode não ser tão sexy quanto a África do Sul, mas como ilha de estabilidade e prosperidade na África Oriental, a qualidade de sua democracia faz diferença."
Um mês antes, o FMI elogiara a eco-nomia, as reformas liberais e a política fiscal ortodoxa e se decidira por mais empréstimos, apesar de "lamentar" o atraso no pagamento da dívida e cobrar uma parcela maior do orçamento para esse fim. Também se lembrou de pedir progressos no combate à corrupção.
Dez dias depois, ante a fraude eleitoral de 27 de dezembro, de-nunciada pela oposição e obser-vadores da União Europeia -mas inicialmente ignorada pelos EUA, que pediu à oposição que aceitasse o resultado -, o Quénia mergulhou em uma guerra civil que já custou 500 vidas, 250 mil refugiados e l bilhão de dólares (5% do PIB) em prejuízos.
É mais um capítulo de uma história de recusa do Ocidente a ver a fraude, o autoritarismo e a corrupção em governos "amigos", até seus resultados lhe explodirem na cara, enquanto cada ato de um rebelde como Ro-bert Mugabe, o presidente do Zimbábue, mesmo que seja popular, dá motivos a ruidosas ca-tilinárias contra a tirania.
É também a continuação de uma história de corrupção e vio-lência que remonta aos ingleses. No início dos anos 50, o Império Britânico perdera a índia, mas não aceitara o próprio fim." ... continua

segunda-feira, 14 de janeiro de 2008

Encarte CLACSO - Cadernos da América Latina - I



Encarte CLACSO
CADERNOS DA AMÉRICA LATINA - I

Este encarte é uma inciativa de responsabilidade do
Conselho Latino-Americano de Ciências Sociais - CLACSO
e está sendo publicado bimestralmente pelo períodico "Le Monde Diplomatique Brasil"


Fonte:
Texto Integral retirado do perídico "Le Monde Diplomatique Brasil" - Ano 1/n4 Novembro de 2007
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Apresentação por Emir Sade*

Este primeiro caderno bimestral do pensamento crítico latino-americano, sob a coordenação do Clacso — Conselho Latino-Americano de Ciências Sociais —, publicará artigos inteiros, ou parte significativa deles, de autores do nosso continente. Começamos por um de Ruy Maura Marini, simultaneamente à publicação do primeiro volume da coleção Clássicos do Pensamento Crítico Latino-Americano — Processos e tendências da globalização capitalista—, pela Prometeo Editorial, da Argentina. E com um texto de Agustín Cueva, coincidindo com o segundo livro da mencionada coleção — Entre a ira e a esperança. A coleção começará a ser publicada também no Brasil a partir do próximo ano.

Seguirão autores como Álvaro Garcia Linea, Pablo Gonzalez Casanova, Florestan Fernandes, René Zabaleta Mercado, Rodolfo Stavenhagen, Milton Santos, Silvio Frondizi, Gerard Pierre-Charles, Anibal Quijano, Juan Carlos Portantiero, Edelberto Torres-Rivas, entre outros.

Esperamos que, mais que fértil leitura, sirvam, tanto estes cadernos, como os livros da coleção, para alimentar discussões, debates, seminários, e que ajudem a recolocar o pensamento social latino-americano à altura das necessidades e dos desafios que se apresentam para o continente no novo século, cheio de alternativas novas para o presente e para o futuro.

Ruy Mauro Marini nasceu no Brasil, onde também cursou seus estudos, e desenvolveu grande parte de sua carreira académica no México e no Chile. Foi professor da Universidade de Brasília, da Universidade de Concepción, da Universidade do Chile e da Universidade Autónoma do México. Um dos fundadores da teoria da dependência — que inverteu a direção dos fluxos de pensamento sobre a América Latina —, e sua principal referência no campo marxista, o autor desenvolveu conceitos de extraordinária fecundidade para as ciências sociais, como os de superexploração do trabalho, subimperialismo, Estados de contra-insurgência e Estados de quarto poder.

Sua obra, marcada por grande continuidade, pode ser dividida em duas fases principais.

A primeira, nos anos 60 e 70, onde teoriza as grandes tendências reprodutivas do capitalismo dependente, seus limites políticos, as possibilidades e estratégias da onda nacional-popular e socialista que emerge dessas décadas e as ditaduras que se generalizam no Cone Sul para destruí-la.

A segunda, que se desenvolve nos anos 80 e 90, onde analisa a inserção do capitalismo dependente nos processos de globalização e a reconstrução do movimento popular e das alternativas socialistas. Para isso, toma como objeto de análise o neoliberalismo, as fraturas e recomposições que provoca no Estado latino-americano, os limites da redemocratização, a hegemonia neoliberal e os caminhos de uma renovação do projeto socialista capaz de oferecer uma democracia radical e substantiva que desmascare o simulacro neoliberal. Nessa perspectiva, propõe-se a um balanço crítico do pensamento social latino-americano, buscando prepará-lo para as novas tarefas da conjuntura contemporânea: a construção de uma ofensiva socialista, não apenas latino-americana, mas também mundial, capaz de redefinir as bases do sistema de poder no planeta. Essa tarefa, apenas iniciada por Ruy Mauro Marini, no México, entre 1994-1996, com a publicação de sete tomos sobre a Teoria Social Latinoamericana, está por se desenvolver e é a tarefa de todo socialista, militante da vida.

Para inaugurar este caderno bimestral, escolhemos um texto dessa segunda etapa, "Democracia e luta de classes" (1985), que editamos e cuja versão completa pode ser obtida no livro da coleção mencionada e em www.marini-escritos.unam.mx. Sua atualidade salta aos olhos para todos aqueles que desejam construir os caminhos do socialismo no século XXI.

Agustín Cueva nasceu em lbarra, no Equador, aí cursando ciências sociais, na Universidad Central, tornando-se professor e diretor da Escola de Sociologia de Quito. Foi também professor da Escola de Sociologia da Universidade de Concepción, no Chile, mudando-se depois para o México, onde lecionou na Faculdade de Ciências Políticas Sociais e no Centro de Estudos Latinoamericanos da Unam. Ele morreu em 1992.

Entre suas obras, destacam-se Entre a ira e a esperança — Estudos sobre a cultura nacional (1967), O processo de dominação política do Equador (1972), O desenvolvimento capitalista na América Latina (1972), Leituras e contribuições (1986), A teoria marxista (1987), As democracias restringidas na América Latina (1988), América Latina na fronteira dos anos 90 (1989) e Literatura e consciência histórica na América Latina (1993).

* Emir Sader: cientista político brasileiro, secretário executivo da CLACSO, coordenador e professor do Laboratório de Políticas Públicas da UERJ, professor aposentada da USP e autor de dezenas de livros, entre os quais, Latino-americana: enciclopédia contemporânea da América Latina e Caribe (2006), projeto que coordena e redige em co-autoria com 121 escritores latino-americanos.