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Erasmo-(1467-1536) ficou conhecido como Erasmo de Rotterdam, mas seu nome era Desidério Erasmo e ele foi um pregador do evangelismo filosófico. Nasceu na cidade de Rotterdam, na Holanda. Em 1488 ingressou na ordem dos agostinianos e virou padre, depois aceitou o cargo de secretário do bispo de Combai, na França. Em Paris estuda teologia. Escreve Colóquios e Antibárbaros, que é considerada uma obra escolástica, crítica da exaltação dos valores da Antiguidade clássica. Viaja pela primeira vez para a Inglaterra em 1499, onde toma contato com o movimento humanista e conhece aquele que seria seu grande amigo, Thomas More. Traduz o Novo Testamento. Mantém vasta correspondência. Denuncia a vida na igreja como distante da fé. Fala que os cristãos devem seguir os ensinamento simples de Cristo, sendo que a estrutura da igreja e da vida monástica haviam se tornado distantes do amor de Deus, de Sua benevolência e da prática evangélica que Erasmo defende na Filosofia Christi. Os homens renascentistas dedicaram-se à várias atividades. Eles começaram a contar a nova realidade. Cervantes, no célebre livro Dom Quixote de la Mancha conta-nos a história de um louco, apegado à valores que já não existiam como a dignidade, decência e nobreza de caráter do cavaleiro medieval. Erasmo de Rotterdam escreve um livro, Elogio da Loucura,(dedicado a Thomas More) onde apresenta a loucura como uma deusa que conduz as ações humanas. Identifica a loucura em costumes e atos como o casamento e a guerra. Diz que é ela que forma as cidades, mantém os governos, a religião e a justiça. Ele critica muitas atividades humanas, identificando nelas mediocridade e hipocrisia. Vejamos o que ele diz sobre:
a)a Loucura- a Loucura fala em primeira pessoa no livro, defendendo sua imagem e ponto de vista.
b)as crianças- a alegria da infância a torna a idade mais agradável, porque a natureza dá às crianças um ar de loucura.
c)o casamento- se as mulheres pensassem sobre o assunto veriam que não é vantajoso. Dores no parto, filhos, dever conjugal. Só a loucura para fazerem agir dessa maneira, assim a Loucura é a origem da vida. A única preocupação das mulheres é se tornar mais agradável para os homens. É essa a razão de tantos perfumes, banhos e enfeites. Só a loucura constitui o ascendente das mulheres sobre os homens.
d)os filósofos - gabam-se de serem os únicos sábios, mas se tirar-mos o véu de orgulho e presunção veremos que não passam de ridículos loucos. A natureza parece zombar de suas conjeturas, e é risível sua teoria de infinidade dos mundos. Falam de astronomia como se conhecessem os astros palmo a palmo. Na verdade, eles não tem nenhuma idéia segura.
Mas a crítica maior de Erasmo é para a Igreja. Ele era cristão, mas foia contra a hierarquia dessa instituição (Igreja), que declara guerras, faz cerimônias e rituais em demasia, e discutem eternamente o mistério divino, sendo que o mandamento de Cristo é apenas a prática da caridade. Defende um retorno à simplicidade do início da Igreja. Lutero estava juntando adeptos em suas pregações e convidou Erasmo, mas este permaneceu na Igreja católica, apontando defeitos. Mais tarde polemizou contra Lutero a favor do livre-arbítrio, que o protestante não acreditava. Erasmo é considerado o principal pensador do humanismo. Critica os teólogos, pois esse condenam, por poucos motivos, muitas pessoas como hereges. Os bispos vivem alegremente, entregam-se à diversão material e esquecem que o seu nome significa zelo e solicitude pela redenção da alma, mas não esquecem das honrarias e o dinheiro. Os monges, para Erasmo, não fazem nada, mas não dispensam o vinho e a mulheres. O papa não tem a salvação que Cristo fala, pois se tivessem abria mão de seu patrimônio e dos impostos. Erasmo critica o imposto que a igreja cobra para não condenar as almas após a morte. E os papas aprovam a guerra, que é cruel e desumana.
Para Erasmo, milagres e supertições como o inferno, duendes e fantasmas são coisas de ignorantes. Ele tem opiniões também sobre política. No livro A instiuição do Príncipe cristão fala da teoria da soberania, o poder do princípe é legitimado pela dedicação ao bem comum e pela aceitação dos cidadãos. É a favor da eleição do chefe, contrário ao monarquismo hereditário. O objetivo de Erasmo é regenerar a Europa, pondo o ideal evangélico contra as guerras. Para se chegar à paz, tem que se desarmar os países, tirar dos princípes o direito de declarar guerra e mobilizar a força nacional em favor da paz.
sábado, 9 de fevereiro de 2008
Elogio da Loucura - Erasmo de Rotterdam
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Discutindo Filosofia 4

Finalmente a quarta edição de Discutindo Filosofia, sei que demorei um pouco para liberá-la, mas o tempo está curto e preferi dar uma atenção maior aos especiais sobre a Ditadura , que é quinzenal ao contrario da Discutindo que é bimestral, além disso o texto é mais denso, sem ser chato ou hermético diga-se, e para quem quiser se aprofundar exige uma leitura de livros,nem sempre pequenos, e que tentarei disponibilizá-los também sempre que possível. Vale ressaltar aqui que a digitalização dos livros não é feia por mim, são encontrados nos mais diversos sites. Chega de “enrrolação” e boa leitura a todos.
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Editorial:
Chegamos ao quarto número. Gradativamente, a revista tem crescido. Isso demonstra que a Filosofia tem um lugar especial em nossa sociedade. Não são só especialistas que se interessam por ela. Um novo espaço começa a ser descoberto. As contribuições deste projeto tem sido muito estimadas por todos aqueles que estão diretamente envolvidos com o ensino de Filosofia e por aqueles que sempre buscaram um canal de comunicação mais flexível com ela. Aqui, professores e estudantes de Filosofia coabitam.
Neste número inauguramos uma nova seção - Espaço do Leitor -, pois é necessário ampliar o diálogo entre os leitores e a redação de Discutindo Filosofia.
Nesta edição trazemos textos que versam sobre Ciência, Arte, Literatura e Ética. Na Ciência vamos das leis de Kepler, passando pela Lógica, à questão da falseabilidade das teorias científicas de Popper. Na Arte discutimos, à luz de Schopenhauer, nossa relação com a música, ancorando-nos num panorama sobre a história da Estética, para então discutirmos a estreita relação existente entre a Literatura e a Filosofia.
Mas nosso tema principal é a Ética. Muito se fala sobre Política e sempre se evoca a Ética como algo imprescindível à vida social. É no rastro dessas questões que trazemos um belo material que nos põe em contato com um dos filósofos contemporâneos mais comentados da atualidade -Emmanuel Lévinas. Neste ano comemora-se o centenário de seu nascimento e com essa festividade vem à tona sua filosofia sobre o homem.
Desejamos partilhar com o leitor reflexões sobre o homem, mais particularmente sobre o homem e suas relações. Neste sentido o conceito de cuidado de Heidegger e o alerta de Plutarco sobre a presença do bajulador nos levam a problematizar os significados que atribuímos ao que nos cerca. Assim, nunca é demais pensar sobre os sentimentos que eventos que mobilizam as massas, como a Copa do Mundo, podem nos suscitar e como nos situamos diante deles.
Um abraço, Marta Vitória de Alencar
Profa de Filosofia da Escola de Aplicação-FEUSP filosofla@escalaeducacional.com.br
Resumo:
- Religião: Santo Agostinho e o caminho para a felicidade
- Filosofia e Cotidiano: Especulações no palco
- Filosofia da Ciência: Eliminando o erro
- Um Filósofo, Uma Idéia: Heidegger e o cuidado
- Tendência: Quando cresce o orgulho nacional
- Moral: Reconheça o verdadeiro amigo
- Capa: Emmanuel Lévinas: Ética e Alteridade
- Lógica: Os caminhos do Raciocínio
- Café Filosófico: Olhos nos Olhos da Morte
- Astronomia: Um descobridor chamado Kepler
- O que é Estética: A beleza e seus sentidos
- Trocando em Miúdos: A arte pode curar
- Literatura e Filosofia: A intenção de provocar
- Na sala de aula: Encontros Filosóficos
"Os filosófos trazem novos conceitos, expõem novos conceitos, mas não dizem ou não dizcm completamcntc. os problcmas aos quais essoes conceitos correspondem. Por exemplo, Hume expõe um conceito original de crença, mas não diz por que e como o problema do conhecimento se coloca de forma que o conhecimento seja um modo determinável de crença... A F ilosofia consiste sempre em inventar conceitos... Hoje a informática, a comunicação, a produção comercial é que se apropriam das palavras conceitos e criativos. esses conceituadores constituem uma raça arrogante que exprime o ato de vender como supremo pensamento capitalista, o cogito da mercadoria. A Filosofia sente-se pequena e solitária diante de tais potências, mas. caso lhe aconteça morrer, pelo menos será de rir."
Deleuze, filósofo francês (1925-1995)
em Signos e Acontecimentos
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quarta-feira, 6 de fevereiro de 2008
A ditadura militar no Brasil - 3 - Jango, Ascensâo e Queda
Esse terceiro volume da série sobre a ditadura no Brasil trata sobre a era Jango, sua ascensão e queda e como se deu o movimento de criação da base de sustentação civil da ditadura.
Fonte: Extraído da “Coleções Caros Amigos – A ditadura militar no Brasil – A historia em cima dos fatos” fascículo 3Digitalizado por: Compartilhando e criando informação
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Introdução:
Parlamentarismo á brasileira
Solução de compromisso ou golpe branco?
Vimos nos dois primeiros fascículos como a renúncia do presidente Jânio Quadros, em 25 de agosto de 1961, abriu grave crise institucional. Normalmente, bastava obedecer à Constituição, o vice tomaria posse, e o país iria
O vice João Goulart, o Jango, não agradava aos direitistas civis “raivosos”. Menos ainda aos militares cevados no anticomunismo, no contexto da Guerra Fria insuflada pelos americanos para opor o capitalismo ao socialismo. Jango lhes parecia “perigoso” - herdeiro de Vargas, acenava com “reformas”, ascensão das classes trabalhadoras, não tinha preconceito contra esquerdistas em geral.
Já o tinham alijado do governo em 1954, quando ministro do Trabalho de Getúlio, propôs aumento de 100% no salário mínimo, em 1955, tentaram impor à nação, nas eleições presidenciais de outubro, um candidato único civil e “apoiado pelas Forças Armadas” – para evitar que Jango formasse com JK a chapa que, como temiam, sairia vencedora; eleitos os dois, tentaram impedir a posse.
Agora, com a renúncia de Jânio, queriam até impedir a volta de Jango ao Brasil – estava na China em visita oficial.
Para evitar o conflito, o conciliador Jango aceitou a “solução de compromisso” que implantou o parlamentarismo no país, pela emenda constitucional n° 4; ela revia um plebiscito para o início de 1965, nove meses antes do fim de seu governo o povo decidiria se o parlamentarismo ficava ou voltaria o presidencialismo.
A manobra, espécie de “golpe branco”, desagradou aliados de Jango. Mas ele trabalharia pela volta do presidencialismo. Queria governar e não apenas reinar – “ser a rainha da Inglaterra”, como se dizia.
Resumo:
- A herança de JK: dívidas, inflação
- Congresso conservador, gabinete conservador
- Brizola, pedrinha no sapato americano
- Jango pronuncia as palavras mais temidas
- A greve vitoriosa pelo 13° salário
- O sistema de gabinete vai por água abaixo
- Democracia para o reacionário é desordem
- Xô, parlamentarismo!
- Pensando em 1956, até a direita votou “não”
- Enfim, Jango à frente do poder executivo
- Ouro por ferro velho
- A forca do operário é a fraqueza do plano
- Pela vontade daquele Congresso, jamais haveria reformas
- Inimigos agem à solta e os aliados nada podem fazer
- O projeto Reformas e Base ruiu porque não chegou ao povo
- A peca que aterrorizou Castelo Branco
- Palavras ameaçadora para os generais
- O que eles disseram na introdução do livro, publicado em 2006 pela L&M Editores
- Três figuras:
- Brizola - O Engenheiro
- Lacerda – Corvo conspirador
- Jango – Estancieiro esclarecido
- Até dom Paulo, defensor dos direitos humanos, saudou o golpe
- Chega o padre da CIA
- A reviravolta diante da violência
- Uma visita de cortesia armada até os dentes
- “Cabe ação imediata”
- “A coisa mais importante que aconteceu no hemisfério”
- Brasil adota conceito da Guerra Fria
- A “bestinha” nocauteia o “turco”
- As armas, onde estavam as armas?
- ”64 foi isso pra mim”
- Conspiração escrita, falada e televisionada
- “O país estará em frangalhos”
- Jornalistas se arrependeram do apoio, patrões se ajeitaram
- O que queria os homens da foice-martelo?
- Os últimos a resistir
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domingo, 27 de janeiro de 2008
A ditadura militar no Brasil - 2 - Antecedentes do golpe: suicídio de Getulío

Considero a Caros Amigos o melhor periódico atualmente nas bancas. Muitos a consideram extremista, eu ao contrário a considero corajosa por assumir uma posição que não seja ditada pelo que é mais rendoso ou mais próxima do senso comum. Avesa a idéia dominante, apresenta uma miríade de visões dentro do que se convencionou chamar de esquerda.
Há alguns meses iniciou uma série de especiais com o intuito de contar a história sobre a ditadura militar no Brasil. Infelizmente perdi o primeiro fascículo(o sétimo acabou de sair nas bancas). É uma obra que merece ser lida, debatida entendida, para que nunca mais seja repetida.
Plano da obra:
1. A noite do golpe
2. Antecedentes: A suicídio de Vargas
3. Governo Jango(1961-1964)
4. Governo Castelo Branco(1964-1967)
5. Governo Costa e Sila(1967-1969)
6. Governo Médici (1969-1974): O milagre
7. Governo Médici- A tortura
8. Governo Médici – Terror total
9. Governo Geisel (1974-1978): Fim do milagre
10. Governo Geisel – Extinta a luta armada
11. Governo Geisel – A abertura
12. Governo Figueiredo (1979-1985): Fim da ditadura
O segundo fascículo trata sobre os antecedentes do golpe, a pressão sobre Getulio Vargas, sua morte, as tentativas de barrar JK, a visita de Che, e o preparo do terreno feito pelas entidades civis.
Fonte: Extraído da “Coleções Caros Amigos – A ditadura militar no Brasil – A historia em cima dos fatos” fascículo 2
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Introdução:
“Antecedente de 1964: da formação ao colapso do populismo”
Getúlio Vargas, que chegou ao cargo máximo da República pela primeira vez cavalgando a Revolução de 1930 como seu principal líder, governou o país durante quinze anos. Cai em 1945, derrubado por generais de seu próprio ministério. Comandou uma ditadura em mais da metade daquele tempo (Estado Novo, 1937-1945). Contudo, o período inicial da chamada Era Vargas introduziu inovações como o voto feminino e a Justiça Eleitoral; conquistas sociais como salário mínimo, organização sindical; e deu início à industrialização do Brasil.
Derrubado Vargas, o presidente do Supremo Tribunal Federal, José Linhares, assume a presidência até que, realizadas eleições, tomem posse o novo chefe de governo e a Assembléia Nacional Constituinte. A 2 de dezembro, vence o general Enrico Gaspar Dutra, ministro da Guerra no governo Vargas, candidato pelo PSD, Partido Social Democrático, criado pelo próprio Vargas junto com o PTB, Partido Trabalhista Brasileiro. Fica em segundo lugar o candidato da UDN, União Democrática Nacional, outro militar, brigadeiro Eduardo Gomes.
Dutra, eleito graças ao apoio de Getúlio, tomou posse em janeiro de 1946 em clima de euforia pelo restabelecimento das liberdades democráticas. Sob a nova Constituição, a "melhorzinha" que já tivemos no dizer de Darcy Ribeiro, realizam-se em 10 de janeiro de 1947 eleições gerais - de governos estaduais a câmaras municipais. Uma das marcas do governo Dutra foi o alinhamento do Brasil aos Estados; Unidos em todos os setores. Rompemos relações diplomáticas com a União Soviética e cresceu a cultura anticomunista no Brasil. Em 7 de maio de 1947, o governo põe o Partido Comunista na ilegalidade; e, em 7 de janeiro de 1948, a Justiça Eleitoral cassa os mandatos dos parlamentares comunistas.
Resumo:
• Entre Getúlio e outro, um Dutra afinado com os EUA
• Chega a matéria plástica
• O suicídio adia o golpe de 1954 para 1964
• Manifesto dos Coronéis – Anote os nomes, eles ensaiam em 54 e darão o golpe em 64
• Esquece o Brasil
• Vargas, o homem que deu nome a uma era
• O petróleo é nosso
• EUA pressionaram parlamentares
• A banda de Música ensaia o espetáculo final
• Instala-se a República do Galeão
• Os últimos momentos do presidente
• Carta-testamento
• Nova manobra: barrar o caminho de JK
• Um governo de três dias, mas que dias cheios
• Parecia que o Brasil, enfim, ia decolar
• Estabilidade política e tolerância
• Abertura ao capital externo, educação negligenciada
• Bossa nova, automóvel, modernidade: os Anos Dourados
• A miragem surge no vazio do cerrado
• Depois de Brasília, a crise, a dupla Jan-Jan, o golpe
• O Barão de Itararé ri até da desgraça: depois de apanhar dos militares, pôs aviso na porta: “Entre sem bater”
• O estado a que chegamos
• Não era a última esperança
• Cortesia vira subversão: Grã-Cruz de Che
• Desmaiou, chorou, esperando ser chamado
• Complicações para Jango
• A volta redonda do jornalismo brasileiro
• Ultima Hora nasceu batendo O Globo
• Fim de Jango, fim de UH
• Ligas Camponesas, nove anos que assustaram o latifúndio
• Entidades civis preparam o terreno
• Caíram no conto do anticomunismo e do inimigo interno
• Hierarquia não suporta democracia
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sábado, 26 de janeiro de 2008
Quênia - Sobre a Cegueira

Ótimo texto da primeira Carta Capital do ano.
Fonte: Extraído do periódico “Carta Capital” 16/01/2008 ano XIV n°478
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"O Quénia pode dar um exemplo para a África do Sul e o resto do continente", es-creveu a revista The Economist em 19 de dezembro de 2007. "Pode não ser tão sexy quanto a África do Sul, mas como ilha de estabilidade e prosperidade na África Oriental, a qualidade de sua democracia faz diferença."
Um mês antes, o FMI elogiara a eco-nomia, as reformas liberais e a política fiscal ortodoxa e se decidira por mais empréstimos, apesar de "lamentar" o atraso no pagamento da dívida e cobrar uma parcela maior do orçamento para esse fim. Também se lembrou de pedir progressos no combate à corrupção.
Dez dias depois, ante a fraude eleitoral de 27 de dezembro, de-nunciada pela oposição e obser-vadores da União Europeia -mas inicialmente ignorada pelos EUA, que pediu à oposição que aceitasse o resultado -, o Quénia mergulhou em uma guerra civil que já custou 500 vidas, 250 mil refugiados e l bilhão de dólares (5% do PIB) em prejuízos.
É mais um capítulo de uma história de recusa do Ocidente a ver a fraude, o autoritarismo e a corrupção em governos "amigos", até seus resultados lhe explodirem na cara, enquanto cada ato de um rebelde como Ro-bert Mugabe, o presidente do Zimbábue, mesmo que seja popular, dá motivos a ruidosas ca-tilinárias contra a tirania.
É também a continuação de uma história de corrupção e vio-lência que remonta aos ingleses. No início dos anos 50, o Império Britânico perdera a índia, mas não aceitara o próprio fim." ... continua
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segunda-feira, 14 de janeiro de 2008
Encarte CLACSO - Cadernos da América Latina - I
CADERNOS DA AMÉRICA LATINA - I
Este encarte é uma inciativa de responsabilidade do
Conselho Latino-Americano de Ciências Sociais - CLACSO
e está sendo publicado bimestralmente pelo períodico "Le Monde Diplomatique Brasil"
Fonte: Texto Integral retirado do perídico "Le Monde Diplomatique Brasil" - Ano 1/n4 Novembro de 2007
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Este primeiro caderno bimestral do pensamento crítico latino-americano, sob a coordenação do Clacso — Conselho Latino-Americano de Ciências Sociais —, publicará artigos inteiros, ou parte significativa deles, de autores do nosso continente. Começamos por um de Ruy Maura Marini, simultaneamente à publicação do primeiro volume da coleção Clássicos do Pensamento Crítico Latino-Americano — Processos e tendências da globalização capitalista—, pela Prometeo Editorial, da Argentina. E com um texto de Agustín Cueva, coincidindo com o segundo livro da mencionada coleção — Entre a ira e a esperança. A coleção começará a ser publicada também no Brasil a partir do próximo ano.
Seguirão autores como Álvaro Garcia Linea, Pablo Gonzalez Casanova, Florestan Fernandes, René Zabaleta Mercado, Rodolfo Stavenhagen, Milton Santos, Silvio Frondizi, Gerard Pierre-Charles, Anibal Quijano, Juan Carlos Portantiero, Edelberto Torres-Rivas, entre outros.
Esperamos que, mais que fértil leitura, sirvam, tanto estes cadernos, como os livros da coleção, para alimentar discussões, debates, seminários, e que ajudem a recolocar o pensamento social latino-americano à altura das necessidades e dos desafios que se apresentam para o continente no novo século, cheio de alternativas novas para o presente e para o futuro.
Ruy Mauro Marini nasceu no Brasil, onde também cursou seus estudos, e desenvolveu grande parte de sua carreira académica no México e no Chile. Foi professor da Universidade de Brasília, da Universidade de Concepción, da Universidade do Chile e da Universidade Autónoma do México. Um dos fundadores da teoria da dependência — que inverteu a direção dos fluxos de pensamento sobre a América Latina —, e sua principal referência no campo marxista, o autor desenvolveu conceitos de extraordinária fecundidade para as ciências sociais, como os de superexploração do trabalho, subimperialismo, Estados de contra-insurgência e Estados de quarto poder.
Sua obra, marcada por grande continuidade, pode ser dividida em duas fases principais.
A primeira, nos anos 60 e 70, onde teoriza as grandes tendências reprodutivas do capitalismo dependente, seus limites políticos, as possibilidades e estratégias da onda nacional-popular e socialista que emerge dessas décadas e as ditaduras que se generalizam no Cone Sul para destruí-la.
A segunda, que se desenvolve nos anos 80 e 90, onde analisa a inserção do capitalismo dependente nos processos de globalização e a reconstrução do movimento popular e das alternativas socialistas. Para isso, toma como objeto de análise o neoliberalismo, as fraturas e recomposições que provoca no Estado latino-americano, os limites da redemocratização, a hegemonia neoliberal e os caminhos de uma renovação do projeto socialista capaz de oferecer uma democracia radical e substantiva que desmascare o simulacro neoliberal. Nessa perspectiva, propõe-se a um balanço crítico do pensamento social latino-americano, buscando prepará-lo para as novas tarefas da conjuntura contemporânea: a construção de uma ofensiva socialista, não apenas latino-americana, mas também mundial, capaz de redefinir as bases do sistema de poder no planeta. Essa tarefa, apenas iniciada por Ruy Mauro Marini, no México, entre 1994-1996, com a publicação de sete tomos sobre a Teoria Social Latinoamericana, está por se desenvolver e é a tarefa de todo socialista, militante da vida.
Para inaugurar este caderno bimestral, escolhemos um texto dessa segunda etapa, "Democracia e luta de classes" (1985), que editamos e cuja versão completa pode ser obtida no livro da coleção mencionada e em www.marini-escritos.unam.mx. Sua atualidade salta aos olhos para todos aqueles que desejam construir os caminhos do socialismo no século XXI.
Agustín Cueva nasceu em lbarra, no Equador, aí cursando ciências sociais, na Universidad Central, tornando-se professor e diretor da Escola de Sociologia de Quito. Foi também professor da Escola de Sociologia da Universidade de Concepción, no Chile, mudando-se depois para o México, onde lecionou na Faculdade de Ciências Políticas Sociais e no Centro de Estudos Latinoamericanos da Unam. Ele morreu em 1992.
Entre suas obras, destacam-se Entre a ira e a esperança — Estudos sobre a cultura nacional (1967), O processo de dominação política do Equador (1972), O desenvolvimento capitalista na América Latina (1972), Leituras e contribuições (1986), A teoria marxista (1987), As democracias restringidas na América Latina (1988), América Latina na fronteira dos anos 90 (1989) e Literatura e consciência histórica na América Latina (1993).
* Emir Sader: cientista político brasileiro, secretário executivo da CLACSO, coordenador e professor do Laboratório de Políticas Públicas da UERJ, professor aposentada da USP e autor de dezenas de livros, entre os quais, Latino-americana: enciclopédia contemporânea da América Latina e Caribe (2006), projeto que coordena e redige em co-autoria com 121 escritores latino-americanos.
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Fragmentos de Heráclito de Éfeso
Heráclito de Efeso - 5, Aristócrito, Teosofia, 68; Orígenes, Contra Celso, VII, 62.
Fonte do livro digitalizado: http://www.consciencia.org/fragmentos_presocraticos.shtml
Fonte dos dados acerca do livro: Wikipedia - Heraclito de Efeso
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Heráclito de Éfeso (datas aproximadas: 540 a.C. - 470 a.C. em Éfeso, na Jônia) foi um filósofo pré-socrático, recebeu o cognome de "pai da dialética". Problematiza a questão do devir (mudança). Recebeu a alcunha de "Obscuro", pois desprezava a plebe, recusou-se a participar da política (que era essencial aos gregos), e tinha também desprezo pelos poetas, filósofos e pela religião. Sua alcunha derivou-se principalmente devido ao livro (Sobre a Natureza) que escreveu com um estilo obscuro, próximo a sentenças oraculares.
Nascimento c. 540/535 a.C. - c. 540/535 a.C. Éfeso, atual Turquia
Falecimento c. 475/470 a.C.
Nacionalidade Grego
Ocupação Filósofo
Principais interesses Metafísica, Ética, Epistemologia, Política
Idéias notáveis "Tudo flui", fogo como "physis", Logos
Influenciados Platão, Aristóteles, Nietzsche, Heidegger, Popper, Whitehead, Jung
Sobre a vida de Heráclito, Diógenes Laércio nos relata: “Heráclito, filho de Blóson, ou, segundo outra tradição, de Heronte, era natural de Éfeso. Tinha uns quarenta anos por ocasião da 69ª Olimpíada (504-501 aC). Era homem de sentimentos elevados, orgulhoso e cheio de desprezo pelos outros”.
Em outra passagem, o mesmo Diógenes nos conta: “Retirado no templo de Ártemis, divertia-se em jogar com as crianças e, acercando-se dele os efésios, perguntou-lhes:
- De que vos admirais, perversos? Que é melhor: fazer isso ou administrar a República convosco?
E, por fim, tornado misantropo e retirando-se, vivia nas montanhas, alimentando-se de ervas e plantas.”
Usando sempre de hipocrisia, Heráclito ridicularizava o conhecimento dos médicos e dos físicos de sua época. Sobre as circunstâncias de como ocorreu a sua morte, Diógenes Laércio assim nos conta: “Hermipo, porém, conta que ele (Heráclito) perguntava aos médicos se alguém podia, esvaziando-lhe o ventre, expelir a água. Como negassem, deitou-se ao sol e pediu aos criados que o cobrissem com esterco. Assim deitado, faleceu no dia seguinte e foi sepultado na praça pública. Neantes de Cizico afirma que, tendo sido impossível retirá-lo de sob o esterco, lá permaneceu, e, irreconhecível pela putrefação, foi devorado pelos cães.carece de fontes
Os filósofos milesianos (Tales, Anaximandro, etc) haviam percebido o dinamismo das mudanças que ocorrem na physis, como o nascimento, o crescimento e o perecimento, mas não chegaram a problematizar a questão. Heráclito, inserido dentro do contexto pré-socrático, parte do princípio de que tudo é movimento, e que nada pode permanecer estático. "Panta rhei", sua "máxima", significa "tudo flui", "tudo se move", exceto o próprio movimento. Ele exemplifica, dizendo que não podemos entrar duas vezes no mesmo rio, porque, ao entrarmos pela segunda vez, não serão as mesmas águas que estarão lá, e a pessoa mesma já será diferente (de fato, a Biologia veio a descobrir muito mais tarde que nossas células estão em constante renovação, e isso é uma mudança).
Mas tal questão é apenas um pressuposto de uma doutrina que vai mais além. O devir, a mudança que acontece em todas as coisas é sempre uma alternância entre contrários: coisas quentes esfriam, coisas frias esquentam, coisas úmidas secam, coisas secas umedecem, etc. A realidade acontece, então, não em uma das alternativas, que são apenas parte da realidade, e sim da mudança ou, como ele chama, na guerra entre os opostos. Esta guerra é a realidade, aquilo que podemos dizer que é. Mas essa guerra da qual fala Heráclito não tem essa conotação de violência ou algo semelhante. Tal guerra é que permite a harmonia e mesmo a paz, já que assim é possível que os contrários possam existir: "A doença faz da saúde algo agradável e bom", ou seja, se não houvesse a doença, não haveria porque valorizar-se a saúde, por exemplo. Ele ainda considera que, nessa harmonia, os opostos coincidem da mesma forma que o princípio e o fim, em um círculo, ou a descida e a subida, em um caminho (pois o mesmo caminho é de descida e de subida); o quente é o mesmo que o frio, pois o frio é o quente quando muda (ou, dito de outra forma: o quente é o frio depois de mudar, e o frio, o quente depois de mudar, como se ambos, quente e frio, fossem "versões" diferentes da mesma coisa).
Inserido no contexto pré-socrático, Heráclito definiu, partindo de seus pressupostos (o "panta rhei" e a guerra entre os contrários) uma arché, um princípio de todas as coisas: o fogo. Para ele, "todas as coisas são uma troca do fogo, e o fogo, uma troca de todas as coisas, assim como o ouro é uma troca de todas as mercadorias e todas as mercadorias são uma troca do ouro", ou seja, todas as coisas transformam-se em fogo, e o fogo transforma-se em todas as coisas. De seus escritos restaram poucos fragmentos, (encontrados em obras posteriores), os quais geraram grande número de obras explicativas.
A cosmologia de Heráclito
Segundo Heráclito, o fogo é o elemento primordial de todas as coisas. Tudo se origina por rarefação e tudo flui como um rio. O cosmos é um só e nasce do fogo e de novo é pelo fogo consumido, em períodos determinados, em ciclos que se repetem pela eternidade.
Em seu livro - Do Céu, Aristóteles escreve: “Concordam todos em que o mundo foi gerado; mas, uma vez gerado, alguns afirmam que é eterno e outros que é perecível, como qualquer outra coisa que por natureza se forma. Outros, ainda, que, destruindo-se, alternadamente é ora assim, ora de outro modo, como Empédocles e Heráclito de Éfeso. (...) Também Heráclito assevera que o universo ora se incendeia, ora de novo se compõe do fogo, segundo determinados períodos de tempo, na passagem em que diz – Acendendo-se em medidas e apagando-se em medidas.”
Para Heráclito, condensado o fogo se umidifica, e com mais consistência torna-se água, e esta, solidificando-se, transforma-se em terra e a partir daí, nascem todas as coisas do mundo. Este é o caminho que Heráclito define como sendo “para baixo”.
Derretendo-se a terra obtém-se água. Água transforma-se em vapor, tal como vemos na evaporação do mar. E rarefazendo-se o vapor transforma-se novamente em fogo. E este é o caminho “para cima”.
Nosso mundo é cercado pelos astros (Sol, Lua, e estrelas). Esses nada mais são do que barcos cujas concavidades estão voltadas para nós, e que carregam dentro de si chamas brilhantes. A mais brilhante é a chama do Sol e também a mais quente. Os demais astros distam mais da Terra e é por isso que seu brilho é menos vivo e menos quente, mas a Lua, que está bem próxima da Terra, não é por isso, mas por não se encontrar num espaço puro – a escuridão. O Sol, entretanto, está em região clara e pura.
Os eclipses do Sol e da Lua acontecem quando as concavidades dos barcos se voltam para cima. E as fases da Lua ocorrem quando o barco que a encerra se volta aos poucos em nossa direção.
Dia e noite, meses e estações, chuvas, ventos e demais fenômenos são conseqüências de diferentes evaporações. Pois a brilhante evaporação inflamando-se no círculo do Sol produz o dia, e quando a contrária prevalece produz a noite; e quando da evaporação brilhante nasce o calor faz verão, mas quando da sombra o úmido prevalece faz-se o inverno.
O Deus e a alma
Dentro do pensamento de Heráclito, Deus não tinha a aparência de um homem nem de outro animal qualquer. Deus não era nem criador, nem onipotente. Heráclito limitava-se a identificá-lo com os opostos, os quais persistem apesar de suas mudanças e assim são capazes de compreender sua própria unidade.
“O Deus é dia-noite, inverno-verão, guerra-paz, saciedade-fome; mas se alterna como o fogo, quando se mistura a incensos, e se denomina segundo o gosto de cada um.”
Nesse argumento, podemos ver que Heráclito considerava as diversas divindades da mitologia grega, que eram adoradas pelos homens de seu tempo, como sendo apenas fogo misturado a diferentes tipos de incensos.
E a alma consiste apenas de mais uma rarefação do fogo e sofre as mesmas mudanças que todas as outras coisas também experimentam; e a morte traz a completa extinção da alma.
“Para almas é morte tornar-se água, e para água é morte tornar-se terra, e de terra nasce água, e de água alma.”
Novamente aqui, nesse raciocínio, vemos Heráclito descrever seus caminhos “para baixo” e “para cima”.
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